sexta-feira, 4 de julho de 2014

Nostalgia II

Sentado sozinho na esperança
Lembro-me dos tempos  de juventude
Em que a memória se quebra em linhas curvas e sorridentes
E tudo parece agora que foi corda solta
Onde a nota é tocada aleatoriamente entre o grave, agudo e estridente
Tudo parece uma curta metragem dos dias longos
A preto e branco e amarelos de pôr-do-sol
Verões de putos a aprender a crescer
Nas paixões antigas de curta duração
Nos copos vazios deixados numa rua qualquer
Corpos caídos na juventude de revolução
Deitados pintando quadros com o fumo dos cigarros da imaginação
Sonhos de bandas, de poesia, de livros
Paixões de filosofia e saber quem se é
Olhar para o futuro pintado no fundo de um copo de café
E sonhar...
Brincar com os pelos faciais, desenhando barbas de comunismo
Bigodes de monarquia e  imperialismo a triunfar
Montadas de conquista e sexualidade em que tudo era novo
Acordar numa casa sem nome
Ou simplesmente não dormir aprisionado em celas
E ficar a conversar
Em como fomos lá parar
Dois amigos a fugir do destino
No topo da cidade
A ver a vida a rebentar

Sem comentários:

Enviar um comentário