quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

7 da manhã

Deitava-me
Sempre perdido
No sentido dos objectos
Que falavam comigo
Dizendo-me esquece
Adormece
Não faças nada
Vais-te arrepender
Nada queres fazer
Tudo está ao alcance
Mas quem descanse
Vai abandonar
A virtude
A juventude das horas
O prazer dos momentos
Que alguém insiste em chamar agoras
Como se de agoiros se tratassem
Na vontade dos emboras
E o pecado do esquecer
E do nunca nunca nunca nunca nada acontecer
Que mais mal é por não existir
Na minha cabeça
Continuo a sentir
A consequência
Que não é de mais ninguém
E que porém dói
Mói e ressente
Neste ente
Que já não sabe
Mas bebe
E bebe
E bebe
Para não viver
A sociedade normal
Que existe
Mas teima em não ser
A sua função
Exibição de almas
Sem calmas
Enfermas
Dramas
Comédias
Tragédias
Tragédias
Alcoólicas, ébrias
Tão ébrias, singelas
Humildes por aceitar
Que o homem é animal
Carnal,  de saudade feito
Nega, e inveja
O seu estado natural

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