sábado, 25 de julho de 2015

Prateleiras de Viagem

Vozes literárias caladas no pó das estantes
Livros Poemas Quadros
Gritos de manifestos dos estudantes
Vozes que só oiço na viagem
São vozes andantes
Não preparadas para um quotidiano que sufoca
Estrangula o sonho e seca as lágrimas
Mas não me impede de chorar

O quotidiano da coragem
Os dias do aguentar
Em que me cantas um sonho verde
E eu vejo preto
Vede senhor!Vede onde nos meteste!
E o porquê de não professar rezas
Se rezar são apenas sílabas de descanso
E só existe raiva num touro
Que se fica manso vai para a morte
Que não é sorte que se deseje a ninguém

A estante rebenta e eu oiço gritar
Parto levando as suas bocas sedentas
Sabendo que hei de voltar
Na dupla partida
Que só é regressar para o mesmo
E ainda assim eu temo
Este mesmo destino
Que matou o menino
Que matou o homem
Que criou o robô
Com a alma de um CD
Cheio de sonhos
Mas todos riscados

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