quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

De Coimbra até Bayonne

Lembro-me dos dias de carro, dos quilómetros, dos pensamentos de estação de serviço. Lembro-me de parar. Todos os dias sonho com caras que apenas um dia vi, dou-lhes vida, nomes, histórias para elas se animarem. Lembro-me do asfalto, do cheiro a depósito acabado de encher. Vício, combustível. Recordo-me do rádio já rouco dos quilómetros entre Coimbra a Bayonne, e desesperadamente querer continuar a cantar.   Ainda hoje ouço as palavras dos poetas que me acompanharam entre o barulho ensurdecedor de milhares de rotações e do seu motor que me aquecia. Mas tive que voltar, tive que parar. Resta-me agora um tímpano furado e um ouvido interno que teima não parar de viajar.

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