domingo, 12 de julho de 2015

Todas as pessoas são folhas caducas

Florescemos na revolução como cravos
Vermelhos em Abril
Podres em Maio
Verdes por dentro o ano inteiro
Mas só o negro conseguimos transparecer
Até começarmos a morrer
Aos poucos
Num qualquer Outono
Aos poucos
Em ambições eleitorais
Aos poucos
Tornamo-nos folhas
Aos poucos
Já nem somos animais
Matamo-nos em escolhas
Esquecemos estar todos na mesma árvore
E queremos saltar para outra em aventuras
Na ilusão de que saltar não é cair
Mas em cada salto salta também a memória
Que todas as pessoas são folhas caducas
E que no final só sobra o chão para de nós se rir

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