domingo, 8 de junho de 2014

Sagrado este império, sagradas estas cadeiras, sagrados estes tronos, sagrados estes reis, sagrados estes imperadores, sagrados estes súbitos!
Triunfal decência
Adeus
Triunfal misericórdia
Adeus
Ideias
Adeus
Camaradas comunistas e tecnocratas da bolsa
Adeus
Hoje o domínio é montado nas trevas de um anjo decapitado  
Hoje as ordens voam nas suas asas metalizadas pregadas nos rolamentos mecanizados que todos construímos
Pelo desinteresse
Escravizados
Pela compreensão 
Escravizados
Pelo sono escravizados
Hoje apenas sobram sonhos embalados por um saxofone enferrujado qualquer que fala em baladas de jazz e blues e espirituais negros e cacofonia e sexo e drogas e fado e álcool, e cigarros, e cigarros, e cigarros...
Sonhos ébrios de fumo e confusão de sono profundo rompidos por fálicos pássaros batendo as asas rompendo femininas nuvens sobre os céus
Sagrada fome, sagrado sem abrigo, sagrado deprimido, sagrado escravo e sagrado escritor de café com 60 cêntimos num bolso e meia dúzia de cigarros noutro, sagrado músico de esmolas, sagrado herege!
Avé anjo negro decapitado!
Avé suas asas metalizadas pregadas nos rolamentos mecanizados que todos construímos!
Avé sua vontade!
Sagrado o nosso pecado...

Sem comentários:

Enviar um comentário