Não temo a força de um poderoso deus
Mas sim a força de uma humanidade decapitada
Os choques da sua electricidade e o fogo dos seus canhões
Temo as cinzas deste chão de homens e mulheres queimadas
Porque pensaram diferente e ousaram imaginar
Temo as línguas dos homens-serpente e o seu poder de sibilar
Porque são políticos camaleónicos
Porque são clones aperfeiçoados e sem medo
Guardando o segredo dos homens serem iguais
Dos homens pequenos mesmo sem armas
Continuarem a serem fatais
Não serem mortais
Serem muito mais que meros animais
quarta-feira, 9 de julho de 2014
verão
Os tempos acalmam-se
Como suposto
Calor, almas estendidas na areia queimando ao sol
Verão de rei deposto
Noites quentes, noites de álcool
Noites à deriva no mar
Para até a política afogar
Dias sem fim
Sem sentido
Ser somente assim
Ser um barco perdido
Com agosto para navegar
Como suposto
Calor, almas estendidas na areia queimando ao sol
Verão de rei deposto
Noites quentes, noites de álcool
Noites à deriva no mar
Para até a política afogar
Dias sem fim
Sem sentido
Ser somente assim
Ser um barco perdido
Com agosto para navegar
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Holly Hollow Night
Aprisiono-me num cérebro gritante
Estrangeiro para dentro de mim que profere discursos difusos
Sem sentido algum escuto esse cérebro perturbador de fim de noite
Perturbador de fim de cigarro
Perturbador de fim de música
Ouvindo no silêncio...
"Man, I fell bad, I fell sad, I fell stupid in this hollow night!
And even the rain, and the clouds and the moon are stupid in this hollow night!
I fell dumb, I fell clever, I fell stupid in this hollow night!
I see monsters, I see men, I see angels in this hollow night!
Lightnings, thunderstorms and smoke are stupid in this hollow night!
Loneliness is like black holes in this hollow night!
And the sky is falling, and the clouds are falling, and the angels are falling, and god doesn't even exist
Thus everything is stupid in this hollow night!
I want to sleep! MAN, I really want to fuck in this hollow night!
Maybe angels without any wings will be sucking my divine gorgeous cock in this hollow night!
And then this night will be a fucking holly hollow night!"
Nostalgia II
Sentado sozinho na esperança
Lembro-me dos tempos de juventude
Em que a memória se quebra em linhas curvas e sorridentes
E tudo parece agora que foi corda solta
Onde a nota é tocada aleatoriamente entre o grave, agudo e estridente
Tudo parece uma curta metragem dos dias longos
A preto e branco e amarelos de pôr-do-sol
Verões de putos a aprender a crescer
Nas paixões antigas de curta duração
Nos copos vazios deixados numa rua qualquer
Corpos caídos na juventude de revolução
Deitados pintando quadros com o fumo dos cigarros da imaginação
Sonhos de bandas, de poesia, de livros
Paixões de filosofia e saber quem se é
Olhar para o futuro pintado no fundo de um copo de café
E sonhar...
Brincar com os pelos faciais, desenhando barbas de comunismo
Bigodes de monarquia e imperialismo a triunfar
Montadas de conquista e sexualidade em que tudo era novo
Acordar numa casa sem nome
Ou simplesmente não dormir aprisionado em celas
E ficar a conversar
Em como fomos lá parar
Dois amigos a fugir do destino
No topo da cidade
A ver a vida a rebentar
Para o ano...
Habituados à normalidade chocamo-nos com pouco
Da tradição dos cabelos penteados
À face depilada
Da camisa, ao cintos, aos sapatos
Da sexualidade, à castidade
Tudo o resto é confusão
Tudo o resto é homossexualidade ou crime
Tudo o resto é juventude e ilusão
Conquistamos a cara adulta como prémio
Perdendo o corpo como conclusão
Depressões, preocupações, conclusões
Perca de alma, perda de memória, falta de tesões
Da tradição dos cabelos penteados
À face depilada
Da camisa, ao cintos, aos sapatos
Da sexualidade, à castidade
Tudo o resto é confusão
Tudo o resto é homossexualidade ou crime
Tudo o resto é juventude e ilusão
Conquistamos a cara adulta como prémio
Perdendo o corpo como conclusão
Depressões, preocupações, conclusões
Perca de alma, perda de memória, falta de tesões
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Capeando
Touro vem contra mim
Contra mim no teu preto
Vem-me pintar com os teus cornos e o sangue que em ti escorre
Contra a minha capa de esconderijos
Contra a minha capa de confissões
Vem comigo dançar
No suspiro das multidões
Nas palmas sedentas
No meio da praça
Rodopiando, lutando, esquivando
Vem contra mim para a morte certa
Numa dança final
No suspiro da espada
No romper das tuas armas no meu corpo
No choro da plateia
Num combate final
Nosso sangue será bebido
Num corpo uno
Minotauro imortal
Contra mim no teu preto
Vem-me pintar com os teus cornos e o sangue que em ti escorre
Contra a minha capa de esconderijos
Contra a minha capa de confissões
Vem comigo dançar
No suspiro das multidões
Nas palmas sedentas
No meio da praça
Rodopiando, lutando, esquivando
Vem contra mim para a morte certa
Numa dança final
No suspiro da espada
No romper das tuas armas no meu corpo
No choro da plateia
Num combate final
Nosso sangue será bebido
Num corpo uno
Minotauro imortal
quarta-feira, 2 de julho de 2014
Diligência Bar Coimbra
Antes havia um sítio onde Coimbra era velhinha
Um sitio de fuga quando o dia anoitecia
Uma cave negra onde o fado cantava
E a memória gritava
Um lugar inundado de transbordantes cinzeiros
Enublado pelo fumo de conversas
Repleto de mercenários comprados por ideias
Um lugar dos prisioneiros à luz das velas
Passavam horas como minutos e todos cantavam
No silêncio, na ausência, em segredo
Antro dos sem medo
Na esperança de tudo mudar
Hoje as luzes rompem a sombra que lá existia
Barulhentos electrodomésticos calam as vozes velhas que lá se ouviam
E o fumo fugiu pela porta para se dissipar
Luzes brancas de montra
No novo centro comercial
Turistas em vez de pensadores
Coimbra que matas os teus doutores
Onde estão os teus valores?
Havia um sitio onde Coimbra anoitecia
Mas a lua não voltará lá
Um sitio que já não há
Agora resta-me apenas o seu fumo nos meus pulmões
Resta-me a saudade até ela desvanecer
Restam-me apenas meia dúzia de recordações
Um sitio de fuga quando o dia anoitecia
Uma cave negra onde o fado cantava
E a memória gritava
Um lugar inundado de transbordantes cinzeiros
Enublado pelo fumo de conversas
Repleto de mercenários comprados por ideias
Um lugar dos prisioneiros à luz das velas
Passavam horas como minutos e todos cantavam
No silêncio, na ausência, em segredo
Antro dos sem medo
Na esperança de tudo mudar
Hoje as luzes rompem a sombra que lá existia
Barulhentos electrodomésticos calam as vozes velhas que lá se ouviam
E o fumo fugiu pela porta para se dissipar
Luzes brancas de montra
No novo centro comercial
Turistas em vez de pensadores
Coimbra que matas os teus doutores
Onde estão os teus valores?
Havia um sitio onde Coimbra anoitecia
Mas a lua não voltará lá
Um sitio que já não há
Agora resta-me apenas o seu fumo nos meus pulmões
Resta-me a saudade até ela desvanecer
Restam-me apenas meia dúzia de recordações
Almofada
Adormecemos na noite
Juntos finalmente como um só
O meu passado e o meu futuro fundem-se hoje num corpo presente
Pálido
À espera da luz da manhã para escurecer
Juntos finalmente como um só
O meu passado e o meu futuro fundem-se hoje num corpo presente
Pálido
À espera da luz da manhã para escurecer
terça-feira, 1 de julho de 2014
Hjälmaren
Ao pé do grande lago longínquo
Vive um homem como igual
Corre o mesmo sangue nas suas palavras
Lusitano sangue de Portugal
Poemas que chegam longe
São a realidade de que o que está perto é sempre igual
Fado nosso compreendido
Sofrimento ritmado
O Português um mundo perdido
Um imigrante, um retornado
Vive um homem como igual
Corre o mesmo sangue nas suas palavras
Lusitano sangue de Portugal
Poemas que chegam longe
São a realidade de que o que está perto é sempre igual
Fado nosso compreendido
Sofrimento ritmado
O Português um mundo perdido
Um imigrante, um retornado
Barbas
Nem todos os homens podem ter barba igual
Uns infantilizam-se no padrão social
Outros só o bigode enrolado cresce na monarquia
E tapetes crescem nos que esperam ver a esquerda nascer um dia
Barbas de pesar
Pelos rompendo a cara apenas por que sim
Personalidades que nascem do homem que não quer ser só assim
Uns infantilizam-se no padrão social
Outros só o bigode enrolado cresce na monarquia
E tapetes crescem nos que esperam ver a esquerda nascer um dia
Barbas de pesar
Pelos rompendo a cara apenas por que sim
Personalidades que nascem do homem que não quer ser só assim
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