terça-feira, 22 de maio de 2018

Poemas de um amigo

http://www.blazevox.org/BX%20Covers/BXFall2015/Lu%EDs%20Leal%20Moniz%20-%20Fall%2015.pdf

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Regresso

Senti frio
Uma mão me agarrava
O corpo esperava na foz
Encostado na margem
Cabeça lenvantada
E pernas estendidas no rio



domingo, 20 de março de 2016

Uso comercial

Entendi o capitalismo que nos circunda
A sede de derrubar
Ser melhor
Sozinhos
Tasks e resultados
Corpos mecanizados
Pensamento criativo
Mas para uso apenas comercial

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Morte

A morte deixou o poema
Sozinho
Sem escuridão
Como algo perdido
E já sem sentido

Tirando a tristeza
Mais triste ficou
A morte o poema deixou
Para agora ficar esquecida
Já sem luto
Porque passado três anos
Já só resta a sua marca em nós
E não a memória do defunto

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Manuel Bandeira

Percebi tarde demais
Que nem tudo é certo
Nem todas as pessoas são iguais
Nem tudo é correto
E a bondade é mera relatividade
Todas as doutrinas são belas
E todas as ideias merecem alguém que morra por elas
Mas encontrando-te já só desejei
Voltar aos tempos de Manuel Bandeira
E às mulheres para que ele escrevia
Que com elas eu gracejei
E vendo-te
Com elas sonhei
Porque elas eram o que és
Elas eram a fé em momentos de solidão
E sempre algo mais que um mero tesão
Elas eram o verso inacabado
E eu a palavra que faltava
Elas eram sempre o verbo
Eu sujeito crucificado

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Mesada, Salário, Heranças

Eu quero fugir, mesmo, e agora
Não quero mais ouvir a voz de uma consciência
Tão conservadora
Tão fechada
Que em nada é minha
Que em nada mereço
Pois não a escolhi apenas herdei
Não quero mais o tom de ameaça 
E dependência económica
Para que algo eu faça
Com a mesma eficiência
De o mudar de canal da televisão

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Rotina

Escondo-me com uma rotina pré-fabricada
Para me sentir útil
Quando na realidade não tenho nada
Nada que fazer
Nada que amar
Nada por onde ser
Sou um ser vivo
Sou um ser e sobrevivo
No respirar, no expirar, no inspirar
Mas sem inspiração
Sem explosão
Acordo e adormeço
Sou apenas um acontecimento do cosmos
Às vezes recto
Às vezes curvo
Nunca correcto
Sempre confuso
À espera de morrer altero o espaço
Crio maldições e tentações
Para que pelo menos o mundo não esqueça
O amor que destruí
As carnes que dilacerei
E que eu já não durma
Mas ainda as estrelas caiam
E que anoiteça a força
Para que o Sol não possa mais se levantar

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Ginsberg

Once I met Ginsberg
Alone with his papers
Telling me about the time he stopped writing
And felt something happening
Happiness 
Clueless
I asked
"Why?"
And the answer was silence
And the silence was violence
And the violence wasn't war
Was only envy

And then war became peace


sempre

Surge sempre esperança em qualquer abismo
Surge sempre o momento em que apreciamos a vida
Mesmo antes dela se despedaçar
E que a agarramos antes cair no negro
Na vontade de voar
Arranjamos sempre asas
Arranjamos sempre abrigo
Mesmo no vento que é destruição
E no olho do furacão a velocidade apreciamos
Porque é vento que nos abraça à volta
Com tudo aquilo que amamos
E de não voltar a ter
As podemos relembrar

sábado, 23 de janeiro de 2016

Adeus?

Ignorar a existência do adeus
Considerar tudo uma interrupção
Não deixar saudade por não ser abandono
Mas ser tão negro o momento como qualquer outro
Lágrimas de petróleo
Peito em chamas
Por fim acabou
Adeus
Até mais nunca
Não me chateies
Penso em ti
Não voltes
Afinal é sempre um até já

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Desgraça

Novo ano
Nova confusão
Só que o que agora é precoce
No final será explosão
Tratada a fogo de artifício
E nova esperança
A desgraça apenas foi esquecida
No sabor de cada passa

sábado, 9 de janeiro de 2016

Muralhas

É fácil sentir a revolta 
E dizer a todo o mundo o que se passa
Ter asas de comando marcadas no braço
E um pelotão disposto a seguir-nos
Mas viver com a manifestação interna
Decidir aceitar
Que talvez seja eterna
E impossível de controlar
É uma tarefa demoníaca
Que bem quero exorcizar
Mas não tenho muralhas
Nem sou Aquiles 
Nem isto é uma ilíada
Nem é algo que se possa perder ou ganhar

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

depressão

As ideias florescem
Na escuridão
Raiva de não ter caminho
De não poder sair
E isto ser libertação
Tempo parado não premeditado
Tempo que pára apenas na ilusão
E é pago para isso
Por trás da cortina
A que nós chamamos depressão

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

7 da manhã

Deitava-me
Sempre perdido
No sentido dos objectos
Que falavam comigo
Dizendo-me esquece
Adormece
Não faças nada
Vais-te arrepender
Nada queres fazer
Tudo está ao alcance
Mas quem descanse
Vai abandonar
A virtude
A juventude das horas
O prazer dos momentos
Que alguém insiste em chamar agoras
Como se de agoiros se tratassem
Na vontade dos emboras
E o pecado do esquecer
E do nunca nunca nunca nunca nada acontecer
Que mais mal é por não existir
Na minha cabeça
Continuo a sentir
A consequência
Que não é de mais ninguém
E que porém dói
Mói e ressente
Neste ente
Que já não sabe
Mas bebe
E bebe
E bebe
Para não viver
A sociedade normal
Que existe
Mas teima em não ser
A sua função
Exibição de almas
Sem calmas
Enfermas
Dramas
Comédias
Tragédias
Tragédias
Alcoólicas, ébrias
Tão ébrias, singelas
Humildes por aceitar
Que o homem é animal
Carnal,  de saudade feito
Nega, e inveja
O seu estado natural

Objecto das cinco

Mais que som
Bom
Sensível e eterno
Morno, quente
Tocável
Em ti tornável
Tornado, remoinho
Amarras, pressões
Presas as unhas nas minhas costas
Que tanto gostas de dilacerar
Imune
Impune
Intragável
Amargo
De sangue que jorra
E tranborda
A cama dos sentidos
E gemidos
E grunhidos
Que nada mais são
Que mãos tocando
A alma morta que se transforma
Em cinzas
E queimaduras
Prontas a ser provadas
Por dentaduras
Mornas, quentes, húmidas
Salivando
A necessidade do quando
Mais do que o de onde
E quem
Sou objecto
Talvez de ninguém

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Casa

Não sigo
Por esta casa fora
Agora, outrora
Sempre
Com diferentes corpos
Mais magros mais gordos
Mais sedentos do elixir da juventude que não a tenho
Mas posso,
Servir
Por acharem que assim posso jorrar
Algo, Algo, ALGO!
Que bem tentei
Mas já não posso dar
Apenas posso sonhos
Desgostos
Invenções
Intervenções
Tentações
Ditas ao teu ouvido
Perdido nesta causa
Casa de muitas e muitos
Infiéis, mas sabes
Por eu estar aqui
Em desabafos
E beijos, e ternuras
Que as aventuras
São carícias dos assombros
E escombros
Em que te tornaste
Já só uma parte de tudo o que ruiu
E hoje sobra de mim

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Palavras

Palavras
Desnecessárias
Compridas
Comprimindo
Sentimentos
Inexplicáveis
Eruditas
Sem sentido
Não se deviam escrever

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Ilimitado

Sem tempo ocupado
Escolhas livres do que fazer
Mas o que não tem limite
Mata a imaginação
Pois ela nasce da dificuldade
E não do sim mas do não
Contorço-me, medito
Evito a inteligência
Pois  ignorância é benção
Ausência de preocupação

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

mudar de casa

Semanas iguais, de um lado
Para o outro que é igual
Semelhante existência
Nómada entres dois sítios
Sempre com a casa às costas
Com a triste percepção
Que toda a vida cabe numa só mala

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Natureza

Trocam-se as voltas
As reformas existem
Mas são sempre para adiar

Cuidado com o que te tornas
Que as mudanças persistem
E nem sempre é para melhorar

O Bem perdura
Pelo menos como Ideia
Que para boémio é aventura

Estás preso no mal
Como uma mosca numa teia
Que é apenas comida
Mesmo sendo insecto por igual

Se queres revolucionar
Mudança é alimento
E em alimento vais ter que te tornar

Mas sê como um sapo colorido
Que mata quem o come
Mas que sorri a ser comido