quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Morte

A morte deixou o poema
Sozinho
Sem escuridão
Como algo perdido
E já sem sentido

Tirando a tristeza
Mais triste ficou
A morte o poema deixou
Para agora ficar esquecida
Já sem luto
Porque passado três anos
Já só resta a sua marca em nós
E não a memória do defunto

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Manuel Bandeira

Percebi tarde demais
Que nem tudo é certo
Nem todas as pessoas são iguais
Nem tudo é correto
E a bondade é mera relatividade
Todas as doutrinas são belas
E todas as ideias merecem alguém que morra por elas
Mas encontrando-te já só desejei
Voltar aos tempos de Manuel Bandeira
E às mulheres para que ele escrevia
Que com elas eu gracejei
E vendo-te
Com elas sonhei
Porque elas eram o que és
Elas eram a fé em momentos de solidão
E sempre algo mais que um mero tesão
Elas eram o verso inacabado
E eu a palavra que faltava
Elas eram sempre o verbo
Eu sujeito crucificado

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Mesada, Salário, Heranças

Eu quero fugir, mesmo, e agora
Não quero mais ouvir a voz de uma consciência
Tão conservadora
Tão fechada
Que em nada é minha
Que em nada mereço
Pois não a escolhi apenas herdei
Não quero mais o tom de ameaça 
E dependência económica
Para que algo eu faça
Com a mesma eficiência
De o mudar de canal da televisão

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Rotina

Escondo-me com uma rotina pré-fabricada
Para me sentir útil
Quando na realidade não tenho nada
Nada que fazer
Nada que amar
Nada por onde ser
Sou um ser vivo
Sou um ser e sobrevivo
No respirar, no expirar, no inspirar
Mas sem inspiração
Sem explosão
Acordo e adormeço
Sou apenas um acontecimento do cosmos
Às vezes recto
Às vezes curvo
Nunca correcto
Sempre confuso
À espera de morrer altero o espaço
Crio maldições e tentações
Para que pelo menos o mundo não esqueça
O amor que destruí
As carnes que dilacerei
E que eu já não durma
Mas ainda as estrelas caiam
E que anoiteça a força
Para que o Sol não possa mais se levantar

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Ginsberg

Once I met Ginsberg
Alone with his papers
Telling me about the time he stopped writing
And felt something happening
Happiness 
Clueless
I asked
"Why?"
And the answer was silence
And the silence was violence
And the violence wasn't war
Was only envy

And then war became peace


sempre

Surge sempre esperança em qualquer abismo
Surge sempre o momento em que apreciamos a vida
Mesmo antes dela se despedaçar
E que a agarramos antes cair no negro
Na vontade de voar
Arranjamos sempre asas
Arranjamos sempre abrigo
Mesmo no vento que é destruição
E no olho do furacão a velocidade apreciamos
Porque é vento que nos abraça à volta
Com tudo aquilo que amamos
E de não voltar a ter
As podemos relembrar